Gráfico de Temperatura Basal: Passo a Passo

Gráfico de temperatura basal: como criar e interpretar

Fizeste os primeiros registos de temperatura basal e agora tens uma lista de números com duas casas decimais. Como é que isso se transforma em informação útil sobre o teu ciclo? O gráfico de temperatura basal é a resposta: é ele que mostra quando ovulaste. Neste guia explicamos o que precisas, como medir, como criar o gráfico passo a passo e como o interpretar ao longo de vários ciclos.

Como funciona a temperatura basal no ciclo

Na primeira metade do ciclo (fase folicular), a temperatura basal mantém-se mais baixa e estável. Depois da ovulação, a progesterona faz subir a temperatura cerca de 0,2 a 0,5 °C, e ela mantém-se alta até à menstruação. Um gráfico com estas duas fases (chamado gráfico bifásico) indica que houve ovulação. Para perceberes melhor porquê, vê o nosso guia da temperatura basal.

O que precisas

  • Um termómetro basal, com duas casas decimais. Um termómetro comum só mostra uma casa decimal e não deteta bem subidas de 0,2 °C.
  • Uma forma de registar: uma folha de papel quadriculado ou uma app gratuita como a Premom ou a Femometer.
  • Constância: medir todos os dias, da mesma forma.

Gráfico de Temperatura Basal: Passo a Passo

Como medir corretamente

Regra Porquê
Mede logo ao acordar, ainda deitada Qualquer movimento, falar ou beber faz subir a temperatura
Mede sempre à mesma hora (margem de 30 minutos) A temperatura muda ao longo da manhã
Dorme pelo menos 3 a 4 horas seguidas antes Sem repouso suficiente, o valor não é basal
Usa sempre o mesmo local (por exemplo, debaixo da língua) Locais diferentes dão valores diferentes
Regista logo o valor Evita esquecimentos e erros

Como criar o gráfico, passo a passo

Passo 1: marca o dia 1

O dia 1 é o primeiro dia da menstruação. Se usas papel, põe os dias do ciclo no eixo horizontal (1, 2, 3...) e as temperaturas no eixo vertical, de 0,05 em 0,05 °C (por exemplo, de 35,90 a 37,10 °C).

Passo 2: regista a temperatura todos os dias

Cada manhã, marca um ponto no dia correspondente e une os pontos com uma linha. Numa app, basta introduzir o valor: o gráfico é feito automaticamente.

Passo 3: assinala o que pode ter alterado a medição

Doença, álcool na noite anterior, noite mal dormida, viagem, medição fora de horas. Regista o valor na mesma, mas marca-o: não o uses para decidir se houve subida.

Passo 4: regista também outros sinais

Os resultados dos testes de ovulação, o muco cervical e a menstruação. Ver tudo no mesmo gráfico ajuda muito a interpretar.

Passo 5: procura a subida

Procura o momento em que a temperatura sobe e se mantém mais alta. A subida pode ser brusca num dia ou gradual ao longo de 2 a 3 dias.

Como interpretar o gráfico

A regra dos 3 sobre 6

Considera-se que houve ovulação quando tens 3 temperaturas seguidas mais altas do que as 6 temperaturas anteriores.

A linha de cobertura

Traça uma linha horizontal logo acima (cerca de 0,05 °C) da temperatura mais alta desses 6 dias. Quando a temperatura fica acima da linha 3 dias seguidos, a ovulação já aconteceu, normalmente no dia antes da primeira temperatura alta.

Exemplo

Dia 9 10 11 12 13 14 15 16 17
°C 36,35 36,30 36,25 36,35 36,30 36,20 36,55 36,60 36,65

A temperatura mais alta dos dias 9 a 14 é 36,35 °C, por isso a linha de cobertura fica em 36,40 °C. Nos dias 15, 16 e 17 a temperatura está acima da linha: a ovulação terá acontecido por volta do dia 14.

O que o gráfico não te diz

A temperatura só sobe depois da ovulação. O gráfico confirma, mas não avisa antes. Para saberes quando estás nos dias mais férteis, combina com os testes de ovulação, que detetam o pico de LH antes da ovulação.

Gráfico de Temperatura Basal: Passo a Passo — registo matinal das observações num diário

O que aprendes com vários ciclos

  • O teu dia habitual de ovulação, que te ajuda a perceber o teu período fértil e quando começar a testar.
  • Se ovulas mais tarde do que o habitual: vê ovulação tardia.
  • A duração da fase lútea (da subida até à menstruação), que costuma ser de 12 a 14 dias. Se for repetidamente inferior a 10 dias, fala com o teu médico.
  • Ciclos sem subida: podem acontecer de vez em quando. Se se repetirem, leva os gráficos à consulta.
  • Uma possível gravidez: se a temperatura ficar alta mais de 18 dias depois da subida, faz um teste de gravidez.

Ao fim de 2 a 3 ciclos, já consegues ver o teu padrão.

Papel ou aplicação?

Papel App (Premom, Femometer)
Custo Grátis Grátis
Gráfico Feito à mão Automático
Deteção da subida Fazes tu, com a regra dos 3 sobre 6 A app assinala-a
Testes de ovulação no mesmo gráfico Tens de anotar Sim, por fotografia
Histórico para levar ao médico As folhas Fica guardado no telemóvel

O termómetro basal Easy@Home funciona com a app Premom e o Femometer com a app Femometer. Nenhum dos dois tem Bluetooth: introduzes a leitura na app à mão, o que leva poucos segundos.

Perguntas frequentes

Quantos ciclos preciso de registar?

Um ciclo já mostra se ovulaste. Para conheceres o teu padrão, regista pelo menos 2 a 3 ciclos.

Esqueci-me de medir um dia. Estraga o gráfico?

Não. Deixa esse dia em branco e continua. Só se faltarem vários dias seguidos perto da ovulação é que fica difícil ver a subida.

O meu gráfico tem altos e baixos. É normal?

Pequenas variações diárias são normais. Olha para o padrão geral (fase baixa e fase alta) e não para cada dia isolado.

Não vejo nenhuma subida. Quer dizer que não ovulei?

Pode ter sido um ciclo sem ovulação, que acontece de vez em quando, ou as medições podem ter sido afetadas por sono ou horários irregulares. Se acontecer vários ciclos seguidos, fala com o médico.

Para fazeres o teu gráfico: vê os nossos termómetros basais, com duas casas decimais e precisão de ±0,05 °C.

Este artigo é informativo e não substitui o aconselhamento médico.

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